O custo de uma ponte estaiada
[imagem: peetssa]

A ponte estaiada Octavio Frias de Oliveira, carinhosamente apelidada de “Estilingão”, está prestes a ser inaugurada em São Paulo e é um belíssimo exemplo da engenharia contemporânea, sendo a primeira no mundo com duas curvas em um único mastro, como relata um dos engenheiros da obra.

[imagem: André Pasqualini / CicloBR]
Ao custo de cerca de 233 milhões de reais, a ponte ligará a Av. Jornalista Roberto Marinho a Marginal Pinheiros. Nela não será permitida a circulação de pedestres, ciclistas, ônibus ou caminhões, mas apenas de veículos leves (motocicletas e automóveis).
[imagem: André Pasqualini / CicloBR]
A imponente ponte é parte de um ambicioso projeto urbanístico, que prevê a remoção total da favela Jardim Edith, cuja comunidade luta para permanecer no local e se recusa a receber o “cheque-despejo” oferecido pela prefeitura no valor de 5 a 8 mil reais, ou aceitar a “alternativa habitacional” da CDHU no Campo Limpo, a 18 km do local.
Despejo da favela Real Parque, na mesma região, em dezembro de 2007
[imagem: Luciano Amarante]
Segundo a Folha de São Paulo, “o plano diretor viário para a região, próxima ao aeroporto de Congonhas, prevê a extensão da Roberto Marinho até a Imigrantes. O prolongamento de cerca de 4,5 km da avenida até a rodovia, principal acesso para o litoral de São Paulo, está estimado em R$ 1 bilhão, já incluindo a desapropriação e a remoção de famílias.”
A prefeitura, que homenageia os grandes empresários da mídia brasileira, pretende acabar com o caos do trânsito privilegiando o transporte individual, em detrimento do transporte público e da tão necessária implantação de um sistema cicloviário abrangente.
Parece ignorar que estas são soluções importantes, capazes de impedir o “trânsito final” previsto em poucos anos.





Abril 16, 2008 em 4:57 am
Gira,….
Boa lembrança sobre a questão do despejo das famílias.
Opções para nosso sistema viário, desde Prestes Maia( 1930), sempre foram feitas. De construção de avenidas radiais, suspensas( minhocão), buracos ( quase de tatu) e isso tudo para os automovéis, além das diversas homenagens póstumas aos grandes barõe$ da mídia corporativa tupiniquin( L. Erundina, batizou uma ponte com o nome de um dos donos do Estadão, Pitta e Maluf ídem, Marta foi quem nomeou a av. com o nome o proprietário da Vênus platinada…e agora o K vc sabe, repetirá seus antecessores.)
Abril 16, 2008 em 7:35 pm
Então pessoal tava lendo a reportagem e me chamou atenção em um ponto, como que motocicletas são consideradas MAIS leves que bicicletas???
Isso realmente me deixou abismado.
Contra isso estamos pensando na noite de inauguração da ponte, fazermos uma reunião protestando contra a não utilização de bicicletas.
Afinal pagamos muitos impostos para podemos utilizar todos os espaços da cidade….
Convoco a todos.
Abril 17, 2008 em 1:56 am
Boa Mari,
o estilingão é uma tristeza, um modo de tentar aumentar a auto estima de uma cidade que parece não perceber que só vai conseguir esta sendo uma cidade de pessoas e não de carros… um bj.
Abril 17, 2008 em 3:45 pm
Só resta saber quem ganhou quanto com as licitações, empreiteiras, contrutoras, processos, pregões, etc, etc
Quer motivo melhor q dinheiro pra uma ponte dessa?
Abril 17, 2008 em 7:09 pm
A engenharia está aí para resolver nossos problemas. E essa ponte realmente busca resolver o fluxo de veículos leves nesse local.
Enquanto não se mudar a abordagem e a maneira que usamos as maravilhas da engenharia, só teremos mais e mais pontes, tuneis e viadutos engarrafados desses “veículos leves”.
Vale notar que esses três tipos de obra são chamadas pelos engenheiros civis de “clássicas” ou seja, todos eles saem da faculdade loucos para fazer parte de uma construção símbolo como essa.
Abril 17, 2008 em 10:45 pm
É linda, um show em concreto, aço e luzes. Deve dar uma foto espetacular, toda iluminadinha; no sentido que vai, centenas de carrinhos paradinhos com a bundinha vermelhinha, e no sentido que vem, todos acesinhos, branquinhos, paradinhos, já imaginou ? Por volta das seis e pouco, que efeito legal, as luzes da ponte, as dos “tomovinhos”, assim, vistas lá de cima do globocop e do águia do Datena.
Sem dúvida vai mostrar toda a pujança dessa cidade que nunca pára…rs. Tô emocionado, juro.
Maio 8, 2008 em 12:18 pm
[...] arte: gira [...]
Maio 9, 2008 em 3:20 am
[...] Guedes (av. Luiz Carlos Berrini), embaixo do Estilingão. Um monumento à sociedade do automóvel O custo de uma ponte estaiada Parabéns São Paulo por mais um monumento ao congestionamento e à segregação. Seja bem-vindo [...]
Maio 9, 2008 em 5:27 pm
..parecemos mesmo formigas ,
sabem como foi a fundação da estaca?
Maio 9, 2008 em 6:52 pm
Olá,
Essa ponte é bacana, bem que eles poderiam construir uma dessa aqui perto da minha casa na gleba do Jd. São Francisco em São Mateus - Zona Leste, já que este governo não tem uma politica para moradia, fariamos dela morada, também gostei do nome engenharia conteporana, coisa dificil de se falar, eu prefiro “estilingão”,
Hugo Paiva.
Maio 10, 2008 em 2:08 am
Aquele símbolo ali, embaixo do sinal de proibido bicicletas, não significa que pedestres não são permitidos. Significa que PESSOAS não são importantes, nesta sociedade de consumo desenfreado, americanizada, que só enxerga a tudo e a todos como produtos, e descartáveis. Eu sinto muito São Paulo, mas estamos sim, num caminho estável e seguro rumo ao colápso.