Archive for the ‘Coisas de Gira’ Category

Pim

novembro 10, 2011

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Asas do Desejo

agosto 31, 2010

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Asas do Desejo, meu novo blog, projeto sobre o feminino nascendo.

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Olhe Através

fevereiro 6, 2010

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Página nova no Gira-me

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Exposição do Acervo Mariah Leick

fevereiro 5, 2010

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Arte no Feminino Plural e Galeria BijaRi convidam para a exposição

Acervo Mariah Leick

Abertura dia 7 de fevereiro de 2010 – domingo – das 16h às 23h

Obras de arte, performances, mostra de vídeos, vídeo-instalação interativa, VJ´s, DJ´s, ações, interações, interferências…

Exposição de 8 de fevereiro a 13 de março – de segunda a sábado – das 14h às 19h (exceto Carnaval)


Galeria BijaRi
Rua Padre João Gonçalves, 81 – Vila Madalena – São Paulo (mapa)


Arte no Feminino Plural e Galeria BijaRi convidam para a exposição do Acervo Mariah Leick. São obras de diversos artistas reunidos para celebrar a trajetória da Mariah, marcada por intensa atividade em projetos de resistência cultural e inclusão social junto aos movimentos sem-teto, feministas, de prostitutas, pela saúde pública, por um centro vivo e uma cidade efetivamente para todos.

A iniciativa é uma estratégia para arrecadar fundos e contribuir com Mariah em sua dura batalha contra o câncer. A exposição do acervo, a primeira na Galeria BijaRi, é uma oportunidade de reencontros, uma maneira de reconhecer os esforços de quem muito nos inspira e um jeito de contribuir com quem neste momento precisa de cuidados médicos e não pode trabalhar para cobrir suas despesas pessoais.

Somos gratos à Mariah por ter iniciado, em 2003, um processo de encontros transformadores dentro da ocupação Prestes Maia e pelo que significou para nós artistas, para os militantes, para as famílias sem-teto – e sobretudo para esta cidade – o desenvolvimento de uma grande mobilização artística e ativista que foi chamada Integração Sem Posse.

Faremos uma festa porque Mariah é alegria, provocação e irreverência. Por isto, no dia 07/02 teremos música, performances, comidas e bebidas, além de muita arte a preços acessíveis. Todo o valor arrecadado será revertido para o tratamento e despesas da Mariah.

Participação: A revolução não será televisionada / Adriana Siqueira / Ale Galasso / Ali Karakas / Ana Paula Oliveira / André Mesquita / Antonio Brasiliano / Augusto Citrângulo / Biba Rigo / BijaRi / Coletivo Esquizotrans / Contrafilé / Cristiane Arenas / Cristiane Mesquita / Cristina Ribas / Daniela Mattos / Daniel Seda / Dedo / Diana Parisi / Eduardo Verderame / Emilio Cordeiro / Eric Verhoeckx / Esqueleto Coletivo / Fabiana Mitsue / Fabiane Borges / Felipe Ribeiro / Flavia Sammarone / Flavia Vivacqua / Floriana Breyer / Gavin Adams / Geandre Tomazoni / Gira / Gisel Carriconde Azevedo / Gisella Hiche / Grupo Empreza / Guga Ferraz / Gustavo Godoy / Guto Lacaz / Henrique Parra / Isaumir Nascimento / Juliana Dorneles / Lucas D. / Luciana Costa / Maíra Vaz Valente / Marcelo Amorim / Marcelo Siqueira / Marcos Vilas Boas / Mariana Cavalcante / Mariana Marcassa / Marina Ronco / Milena Durante / Nilton Pinho / Paulo Zeminian / Peetssa / Pilantrøpov / Raphi Soifer / Regina Silveira / Renan Rovida / Rodrigo Araujo / Rodrigo Barbosa / Rogério Nagaoka / Rubens Pileggi Sá / Silvia Viana / Studio Intro / Teresa Berlinck / Túlio Tavares / Vinicius Gaspar / Vitor Mizael / Waleska Reuter / Yili Rojas

Acesse Arte no Feminino Plural

A cidade que queremos

dezembro 22, 2009

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Cidade para pessoas e bichos livres

Cidade para descanso, prazer e flerte

Cidade com plantas e terra para pisar

Cidade iluminada, de horizonte aberto,

montanhas ao alcance dos olhos

Cidade de sol e de chuva, sem alagamentos e banhos de esgoto

Cidade para pessoas tranquilas,

não para máquinas velozes, violentas e ruidosas

Cidades assim todos os dias

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Imagens: Parque do Flamengo – Rio de Janeiro, dezembro de 2009 – aberto às pessoas e fechado aos carros, somente aos domingos.

Achados e perdidos

novembro 24, 2009

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“A Colorgin patrocina as “pinturas rupestres” dos anos 2000
Há algum tempo atrás eu acharia esta pixação horrível
Agora tem outro significado
A palavra “tortura” em uma pedra de um dos lugares mais lindos em que estive
Já não me parece inaceitável
É cruel porque explicita uma outra realidade sob a paisagem
Mas é também poético
Um grito que confunde o som do mar”
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Trecho de uma carta a um amor esquecido,  julho de 2005

Esmola?

agosto 22, 2009

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População de rua: o massacre e a revista Veja

19 de agosto – Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua. 2009 – Cinco anos do massacre de pessoas em situação de rua no Centro de São Paulo. Ato na Praça da Sé. Repúdio à revista Veja e à reportagem “Profissão Mendigo” publicada na Veja São Paulo (edição n° 2126 / agosto).

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Testando

julho 15, 2009

Gira-me no Twitter (e aqui na coluna direita, em Pequenas anotações).

Fluxo de pensamentos formatados em 140 caracteres…

A pessoa errada

junho 4, 2009

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Em se falando de amor, há de se considerar essa hipótese: estamos em busca da pessoa errada, ou pelo menos, é ela que nos falta. Mas não falo de qualquer pessoa errada, não é próprio para o homem, ou para a mulher, uma infinidade de opções. A pessoa errada, aquela que lhe cabe sem risco de acerto, não está disponível em cada esquina. Ela se encontra exatamente na hora e lugar errados.

De um tropeço, de um ataque histérico ou crise alérgica deve surgir, pois ao amor que não machuca, não enlouquece ou sangra, falta o sal e o açúcar. Falta a verve incendiária e o instinto de morte, falta a falta de rumo e sobra o zelo e o tédio e as coisas banais.

Não é para qualquer um encontrar a pessoa errada, aquela que tem os defeitos exatos, as manias e as zangas perfeitamente incompatíveis. A pessoa errada que nos cabe deve nos tirar do sério, derrubar do prumo e nos explodir nas alturas do atordoamento. Deve ser incompreensível, um mistério assustador, um desencanto. Deve ser o espelho da manhã que nos denuncia as olheiras, as rugas e os maus pensamentos, e que nos ofusca, espeta qual alfinete, os olhos recém despertos.

A pessoa errada escapa entre os dedos logo cedo e volta para nos invadir os sonhos sem nenhuma educação ou cortesia. De uma imperfeição precisa, ela não tem graça, tem preço, e custa caro.

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Praça da Fé

junho 2, 2009

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[Natal na praça, 2005]

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Praça da catedral, museu a céu aberto de monumentais obras de arte e de pessoas esquecidas, abandonadas no tempo das coisas velozes e da técnica que lhes toma a humanidade. Uma escultura roda sobre o eixo, fria e metálica com suas pontas cortantes, e já nem importa o nome do artista que a criou (mas que com certeza não a moldou), apenas a empresa que financia arte por publicidade.

Enquanto me distraio com o sinistro espetáculo giratório, uma jovem negra e forte se aproxima decididamente e me exige o cigarro. Nem mesmo agradece, deveria? Observo surpresa sua partida em passos gingados.

A catedral de oitocentos quilos de mármore, assustadora e imponente marca no espaço os tempos de exploração, que permanecem estendendo seus braços sobre a miséria que dança ao som da flauta boliviana. Entre nós os espelhos d’água que agora não banham os corpos gelados de quem tem como teto apenas o céu inacessível, promessa distante de paraíso.

Um rapaz se aproxima apenas de camiseta, tremendo de frio e de droga, para elogiar a moça com suas duas crianças: “Essa é mulher de verdade, de respeito. Mulher safada tem que apanhar mesmo. Tem mulher que nem sabe fritar um ovo, não dá pra levar pra casa. Amor de mulher mesmo, mulher de verdade, só tive da minha mãe”.

As lâmpadas da praça se acendem refletindo luzes amarelas no espelho líquido. Há lua no céu ainda claro e o frio se torna cada vez mais assustador. A moça cobre as cabeças dos filhos com toucas de lã, mas seus pés estão de chinelos. Vão embora enquanto executivos e outros trabalhadores diários cruzam rapidamente a praça. Retiram-se e vão deixando ali invisíveis os homens e mulheres sem casa, que fogem do frio e da fome em direção ao álcool mais barato e sórdido, política pública de extermínio.

Em que estado estão esses corpos? Ruínas humanas entre esculturas, museu da perversidade. Uma sala vazia repleta de personagens Beckettianos: Pim chafurdando na lama apocalíptica com seu saco de latas.

Senta o velho ao meu lado, observando a lei que pisca suas luzes paralisantes sobre o automóvel fardado. Assiste o movimento com desconfiança, as mãos entrelaçadas e vazias, o olhar triste. Espera alguém? A morte, talvez? Dois jovens passam correndo e ele se levanta e vai embora. As pessoas continuam a correr alheias, por que lhes diria respeito o mundo?

Os bolivianos recolhem seus instrumentos, hora de deixar a praça para aqueles seres destituídos. Toca o sino da catedral, dezoito horas, atravesso a praça e o rapaz me chama para conversar, sentamos. Ele diz que com ele estou protegida, mas que não deveria ficar ali. Chama-se Wellington, como tantos outros, tem vinte e seis anos de vida e sete de cadeia, por “assalto plantado”. Está nas ruas faz seis meses, perdeu os pais ainda pequeno. Seu maior desejo é encontrar “mulher de verdade” e diz que com a ajuda de Deus vai conseguir.

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