Fragmentos do inconsciente

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Uma cadela corpulenta de bege macio e olhos tristes goteja sangue uterino na pequena sala de paredes laranja sem janelas. Sob o ar morno e denso observo a cena sentada no chão úmido acarpetado, arranhando o tom marrom-esverdeado encardido, como se assistisse a um dos bizarros filmes de David Lynch. Há pessoas na sala, não as vejo, sei que estão ali, mas tampouco as reconheço entre murmuriosas sombras. Um homem de sorriso torto surge sob a luz esfumaçada, imenso e ameaçador, disposto a acabar com a sujeira vermelho-líquida. Avança sobre a cadela com impulsos famintos de fist fucking para arrancar-lhe o útero com as unhas.

Um carro bege e velho na calçada, cheio de coisas amontoadas no banco de trás. Abro espaço entre as caixas para acomodar a cadela gotejante, com os braços cobertos por mangas de uma camisa xadrez cinza-azulada. Minha irmã vem comigo, mando que entre logo no carro e saímos em alta velocidade.

A cidade está tomada por vampiros de pele rosada e olhos de enormes pupilas negras, sem íris. Atiram-se raivosos sobre a máquina para impedir-nos a fuga. Avanço sobre eles, resta-nos pouco tempo. Portões se fecham a nossa frente, o carro rugindo sobre ladeiras, ruas de terra, buracos, poeira vermelha…

Alguém ao meu lado acorda atrasado. Abro os olhos para uma luz que não é do meu despertar:

Onde estou?

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