Da estupidez humana

Ontem pulei do ônibus no ponto da Av. Dr. Arnaldo que fica sobre o viaduto da Av. Sumaré, sentido Av. Paulista x Pompéia, onde paro em muitos dias da minha vida.

Imediatamente senti um estranhamento, uma falta no espaço. E quando olhei para o terreno atrás do ponto percebi um vazio no céu: a árvore!

Me aproximei e vi atrás do guarda-corpo de concreto um enorme, imenso pedaço de árvore cortada, mutilada, assassinada.

[Árvore arrancada na Av. Dr. Arnaldo]

Fiquei em estado de choque, vontade de chorar, chorei fingindo que não. Não podia acreditar naquilo, que cretino faria uma coisa dessas? A troco de quê?

Lembrei: um dia presenciei uma reunião ali, atrás do guarda-corpo junto a árvore, de funcionários do metrô e seguranças, com um senhor que parecia avaliar o terreno e a estrutura de concreto. Agora sei quem era o homem, um serralheiro para instalar grades de ferro atrás do ponto de ônibus. As colunas já estão lá.

Mas como poderia imaginar que a árvore pudesse ser arrancada?

Observando tal reunião ficou claro que os ali presentes estudavam uma maneira de isolar os moradores de rua que habitam aquele espaço, o barranco de terra onde estão escorados a estação de metrô Sumaré e o viaduto. “Medidas de segurança”… Mas o que tem a ver aquela árvore imensa com isso?

Voltei no metrô a noite e perguntei a uma funcionária a razão de tal insanidade (?), ela me respondeu que não, não foi o metrô que fez isso, mas a prefeitura, para evitar a ação dos “drogados, que roubam as pessoas no ponto e na avenida”.

Perguntei: Mas que direito tem a prefeitura de fazer isso? Ela respondeu que a prefeitura é a dona (!) daquilo. Visivelmente irritada, mas tentando ainda parecer educada, tentei argumentar: Não, aquela árvore não era da prefeitura, ela era sua, minha, de nós todos.

Quantos celulares, quantas carteiras valia aquela árvore? Existe preço que pague por ela? E sobre a população de rua, até quando a sociedade e o poder público vão responder a essa questão com “medidas de segurança” e repressão?

Enquanto não houver políticas públicas de inclusão dessas pessoas pagaremos todos: população em situação de rua, nós (os privilegiados “com-teto”) e as árvores…

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2 Respostas to “Da estupidez humana”

  1. Fourier Says:

    Oi !!

    Muito triste essa situação hein? Coitada da árvore…..

    Bom..eu li o curto verão, mas não tenho..que me emprestou foi o Maestro Toni. muito bom…o Durruti era soda!

    Sabe o que é Falanstério? É igual ao ay Carmela…

    comigo tudo bem e vc?…
    bj

  2. Matias Says:

    Lamentável heim Mari!
    Têm um texto do Rubem Alves que relata de uma senhora que cortou um ipê pois as flores deste sujavam sua calçada… têm cabimento?
    Como dizia o Einstein: “O que melhor me dá idéia do infinito é a becilidade humana” ou algo parecido.
    bj.

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