Não à Violência! Participe da Aliança pela Vida!

Cidadãos que habitam as ruas do centro e que tentam se proteger do frio deste inverno estão sendo desrespeitados e agredidos. A qualquer hora do dia ou da noite, vêm suas roupas e cobertores confiscados ou molhados pelos jatos d´água dos carros-pipa da prefeitura, são obrigados a fugir dos sprays de pimenta que lhe são lançados por policiais diretamente em seus rostos.

Essa ação higienista não vê diferença entre o lixo ou os seres humanos, aos quais só restou a rua para viver. Sem um teto, sem trabalho, sem adequada política pública de atendimento social, estas pessoas, especialmente desde o dia 3 de julho, vêm sofrendo seguidos atos violentos. Tudo isto às vésperas dos 4 anos do massacre dos 7 moradores de rua no centro de São Paulo.

REPUDIAMOS a desumanidade de ações que buscam exibir uma cidade limpa, mas que agridem os cidadãos mais vulneráveis, sem sequer dialogar com aqueles comprometidos com a causa.

QUESTIONAMOS os parceiros da “Aliança pelo Centro Histórico”: a prefeitura, o governo estadual, a Associação Viva o Centro e suas Ações Locais, bem como seus patrocinadores: BM&Fbovespa, Nossa Caixa, Associação dos Advogados de São Paulo e Associação Comercial de São Paulo:

O que esta violência tem a ver com a proposta da Aliança quando esta diz “qualidade total nos quesitos de zeladoria urbana” e “controle da ocupação irregular do espaço público”?

Solidariedade a outros trabalhadores paulistanos que também têm sido vítimas desta violência, como os catadores de materiais recicláveis e os ambulantes.

Solidariedade às crianças e adolescentes em situação de risco social e aos ocupantes de imóveis abandonados, de favelas e de cortiços, seguidamente desalojados por mero interesse de valorização imobiliária.

Solidariedade às pessoas de outras regiões desta e de outras cidades, de onde temos recebido depoimentos da mesma gravidade.

As organizações que trazem estas denúncias convidam a todos que se sensibilizam por esta causa a participarem da ALIANÇA PELA VIDA, e exigem:

. o fim imediato de todos os atos violentos e das ações de remoção e expulsão no centro de São Paulo!

. o fim da criminalização da pobreza!

. abertura de diálogo para a construção de programas sociais que apontem soluções conseqüentes para a população em situação de rua, adultos e crianças!

. o cumprimento da Lei Municipal 12.316 de Atenção à População de Rua.

São Paulo, julho de 2008.

Movimento Nacional da População de Rua, Movimento Estadual da População de Rua, Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, Fórum das Organizações que Trabalham com a População em Situação de Rua, Sefras, Rede Rua, Fórum Centro Vivo, Fórum de Debates sobre a População em Situação de Rua, Organização de Auxilio Fraterno, Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos, Programa Agente na Rua, GARMIC, CEDISP, União dos Movimentos de Moradia de São Paulo, Marcha Mundial de Mulheres, Executiva Municipal do PSOL, Ação da Cidadania, LAC Travessia, Centro Comunitário São Martinho de Lima, Fórum das Pastorais Sociais da Arquidiocese de São Paulo, Pastoral do Povo da Rua, Pastoral do Menor, Pastoral da Moradia, Cáritas Diocesana de São Paulo (entidades até a presente data).