Biografema

Érica Zíngano herdou de sua avó Maria, a de Jesus, o seu mesmo dia de nascida. Era para se chamar Cecília, pela tia e pelos músicos, mas o pai optou pelo nome de ninguém. Ele ensinara-lhe a falar, repetindo sempre as mesmas mentiras das suas viagens de estórias. Pelo avô, aprendeu a observar vazios: dos domingos e da difícil arte das palavras-cruzadas. Com sua outra avó Maria, mas do Carmo, repetia nos gestos a costura e a cozinha – afazeres de mãos. Da mãe, apreendeu sua lógica canhota para entender do mundo: sob as plantas, ensinou-me a ler o brilho da palavra aurora. Com o irmão, dividiu a biblioteca e compartilhou silêncios – maneira de se equilibrar ao redor: caminhar nas distâncias. Da 1ª lição de coisas, alguma gramática expositiva no chão, remanesce a prática: observação das passagens no tempo.

Em 1000 e 1 notas: Érica Zíngano

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2 Respostas to “Biografema”

  1. ez Says:

    mari mari, gira mari,

    o que é a gente, senão esses pedaços de outras gentes, né? fico feliz que tenha gostado… precisamos depois achar um tempo nosso, na cozinha, como sempre, entre cigarros e cafés, pra conversarmos sobre os movimentos da própria vida, que não para de girar nunca! beijos beijos ez

  2. Cibol Says:

    que boniteza esse Biografema…

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