Deserto verde

“Monocultura de eucalipto na Serra do Mar, região de São Luís do Paraitinga”

[imagem: Henrique Parra]

“Sob o argumento de reflorestamento, criam-se verdadeiros desertos verdes de produção de madeira para fábricas de celulose. O eucalipto é a principal espécie dessa estratégia e danifica o solo de forma irreparável: uma vez plantado, não é possível retomar a fertilidade da terra e seus minerais. Além disso, as raízes do eucalipto penetram nos lençóis freáticos, prejudicando o abastecimento de água das regiões. Cada pé de eucalipto é capaz de consumir 30 litros de água por dia.

De acordo com algumas pesquisas científicas, a monocultura do eucalipto, por exemplo, consome tanta água que pode afetar significativamente os recursos hídricos. Segundo Daniela Meirelles Dias de Carvalho, geógrafa e técnica da Fase, organização não-governamental que atua na área sócio-ambiental, só no norte do Espírito Santo já secaram mais de 130 córregos depois que o eucalipto foi introduzido no estado.

Outro indício da devastação e do desequilíbrio ambiental causados pelo plantio de eucalipto é o assoreamento dos rios, hoje praticamente secos, uma vez que a espécie consome muita água. A falta d’água não aflige só os animais, como também impede a produção de qualquer tipo de alimento. O amendoim cresce raquítico, o feijão não se desenvolve, o milho não nasce, deixando claro que a improdutividade da terra generalizou-se para além das áreas onde estão as plantações de eucalipto.

O plantio de eucalipto em locais de baixa umidade chegou a secar poços artesianos com até 30 metros de profundidade, deixando a população local sem água. O eucalipto tem alto consumo de água, pois tem uma grande evapotranspiração, podendo ressecar o solo, secar olhos d’água, baixar o lençol freático, secar banhados, diminuir a água dos pequenos córregos e riachos, etc.

As fábricas de celulose são também grandes consumidoras de água, com uso de muitos produtos químicos para o branqueamento da celulose, tendo sempre presente o risco de acidentes ambientais.

Outro impacto ambiental causado pelo monocultivo do eucalipto é a redução da biodiversidade da flora e da fauna. O eucalipto causa também a degradação da fertilidade dos solos, exigindo grandes investimentos de recuperação posterior à colheita e compactação pelo uso de máquinas pesadas.”

Texto completo em Ecol News.

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3 Respostas to “Deserto verde”

  1. André Pasqualini Says:

    Em novembro de 2007 fiz uma viagem de bike até o Rio de Janeiro, mas no primeiro dia fiz o trajeto até Caraguá, via Salesópolis. A estrada corta a Serra do Mar e já percorri esse trajeto inumeras vezes, desde 96 até hoje.
    A estrada é belíssima, seria ideal para pedalar se não fosse o excesso de caminhões. O mais impressionante é que a maioria vem carregada de madeira. Encontrei diversas placas com o nome da Suzano Papel e Celulose. Realmente eles não desmatam, simplesmente compram áreas já desmatadas. O problema é que os vendedores compram áreas nativas, desmatam e depois vendem para a Suzano.

    Essa Floresta de Eucalípto realmente existe, comprovei com meus próprios olhos, pena que estava sem pilhas nesse dia e não consegui tirar nenhuma foto, mas dá pena ver a Mata Atlântica ser devastada por essa empresa. Entrem no site dessa empresa e confira (http://www.suzano.com.br/suzano/home/index.cfm). Em áreas de produção vocês vão reparar que suas “florestas” da região de São Paulo são, basicamente, na Serra do Mar e da Mantiqueira. Ou seja, do lado da fábrica o que barateia e muito o frete.

  2. Outras terras « gira-me Says:

    […] Plantação de Pinus no lugar da Mata Atlântica […]

  3. Reinaldo R.P. Guedes Says:

    Reinaldo Guedes (Relata)
    Realmente concordo com tudo que li a respeito desta catástrofe ambiental, pois tenho um sítio no Sul da Bahia onde a Suzano tambem domina,pois as minas que eram abundante hoje estão praticamente secas,estamos dependendo de um Rio que tambem ja está sofrendo o efeito da degradação.Assim como foi votada a lei para a recuperação de nascentes e plantio de arvores ao longo das encostas e dos rios pelos agricultores. Peço aos politicos que façam tambem uma lei que impeçam as multinacionais continuarem a destruir nossas nascentes com esses plantio de eucalipto desenfreadamente.

    A NATUREZA GRITA POR SOCORRO!

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